sábado, 15 de novembro de 2014

O CHORO DA AMA ZÔNIA



O CHORO DA AMA ZÔNIA

Ama Zônia chora
Por ver mais foice nas mãos 
Por perecer mais florestas em vão


Ama Zônia chora
Por ver ações mal sãs
Da Amazônia mata querida,
Ver teu povo lhe tocar a ferida 
Cortando-lhe sem dó o seu cerne 
Retirando tua seiva já sem vida 
Ressecando teu corpo imaculado 
Por míseros trocados de pratas 
Barganhadas em rios de sangue



Ama Zônia chora 
Sofre pelos entes queridos 
Seus bichos e gente de bem 
Sendo retirados de seus nichos e abrigos 
Desamparando-lhe as aves dos ninhos 
Exortando-lhe animais sem destino 
Chamuscando-lhe a vida em chamas 
É assim que maltrata o homem à natureza. 
É o troco mal dado pela vida doada.


Ama Zônia observa: 
A Terra já não será no futuro a mesma 
O chão verde das matas já está de luto 
As lágrimas dos rios secarão de vez 
A sede e fome alastrarão sem piedade 
Nos seios de todos os envolvidos 
Não restando-lhes nenhum de seus filhos 
Pobres, negros e ricos 
Todos ficarão sem ter o abrigo das chuvas



Das matas e florestas afins, 
Se acaso o homem continuares assim, 
Desperdiçando a riqueza nata divina, 
Para trocar por um pouco de ganância 
Enchendo teus cofres de dinheiros 
Desmatando-lhes áreas sem limites 
Retirando-lhe o coração do Brasil 
Transformando-lhes em pastos para gados 
Ó governantes sem noção... 
Não vês o que rege em teus papeis, 
Assinando petições e concessões?



Não vês que ao gado requer mais comida, 
Retirará então, vós o pão dos aflitos? 
Não vês que ao gado requer mais água? 
Retirará então, vós a água de teus irmãos? 
Não vês que retirando as raízes nativas, 
Retirará para sempre a esperança da nação? 
O coração sem sangue não pulsa. 
O coração do Brasil é a floresta amazônica.


É ela responsável pelas chuvas nas regiões... 
O que se faz com o país, é crime sem fiação. 
É colocar-se dentro da masmorra da sede e fome. 
É ter que redimir-se sem ter a rendição. 
Não haverá o leite derramado 
Pois nem o leite terá a derramar 
Pois o gado e o homem morrerão de sede e fome 
As matas virgens e santas serão queimadas


E o pesadelo só terminará quando do sono se despertará 
És fato, de que na vida sempre se tem uma segunda chance 
De fazer tudo diferente do que era antes... 
Mas, será que teremos esta segunda chance? 
Desmantando diariamente, retirando a água dos rios e lagos,


E dando aos bois, gerando o ciclo da morte? 
Boi bebe a água, e nós comemos o boi.. 
Boi morre de sede, e nós morremos de fome... 
Ironia patética, mas corremos o risco 
De se tornar realidade futurista...


Ama Zônia sonha: 
De um dia ser tudo mentira o que ela previu... 
De um dia não ver chorar os filhos teus... 
Por uma pedaço de chão, pão, água e comida 


Ama Zônia sonha ainda... 
De não ter que ver de camarote 
Teu povo sofrendo e morrendo à míngua 
Teu povo sendo de fato, maltratado 
Nas mãos daqueles ingratos, 
Filhos bastardos de uma geração medíocre e infeliz. 


Simone Medeiros

Ilustração: Google

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